10
nov
08

Uma corrida no parque

Texto de Gustavo H. M. Braga

42-20175258Gosto de correr no Parque da Cidade para encher os pulmões de ar e fazer o coração bombear sangue freneticamente para todas as artérias. Às vezes parece que a tensão do dia-a-dia escorreu junto com o suor. Por um lado me sinto mais vivo quando corro, por outro, frágil e próximo da morte. O problema é que não há nada para preencher o buraco deixado pelo estresse.

Na última vez que fui ao parque segui a rotina. Pratiquei o esporte sozinho. Em outras ocasiões convidei ex-namoradas e mulheres em quem estava interessado, até hoje ninguém aceitou. Para piorar, não tenho amigos que corram. Comecei o trajeto pela pista em forma de caracol num bosque de pinheiros. Nos amplos espaços das cercanias algumas pessoas preparavam churrasco.

Durante o percurso cruzei com criancinhas ofegantes que pedalavam com toda a força mini bicicletas coloridas na tentativa de alcançar os pais atletas, que por sua vez paravam de tempos em tempos para não perder os pequenos de vista. Vi casais vestidos com boné e óculos escuros que caminhavam de mãos dadas, outros conversavam enquanto corriam, os homens geralmente de camisa regata e as namoradas de top. Havia ainda grupos variados como amigas acima do peso em busca da boa forma e rapazes vindos da academia para a parte aeróbica do treinamento. Todos passeavam felizes.

Impressionei-me com mulheres elegantes, imponentes vestidas com as mais caras grifes para ginástica. Loiras, ruivas ou morenas, altas ou peitudas, passavam sem olhar para mim, com fones de ipod nos ouvidos. Algumas vinham com cachorros na coleira em vez de companheiros da mesma espécie. Tive a impressão que só para me humilhar corriam mais rápido que eu. Nesses momentos me achava um fracote. Magro, descabelado, sem fôlego, cabisbaixo; caso houvesse um espelho no parque veria uma silhueta esquálida cambaleante sobre duas perninhas finas e tortuosas.

A temperatura esfriou. Parei para descansar numa das mesas de plástico de um quiosque na beira da ciclovia. Bebi água de coco. Observei jovens da minha idade andarem de patins, um homem e uma mulher conversarem na mesa ao lado e, ocasionalmente, alguém que aparecia para comprar picolé. Imaginei como seria alguém correr comigo naquele fim de tarde. Fui incapaz de derramar uma só lágrima apesar da estranha dor no peito e do nó engasgado na garganta. Ao mesmo tempo senti algo e não senti nada.

Eu poderia gritar, me matar, botar fogo nas árvores e destruir tudo à minha volta, porém, não faria diferença. Todos seguiriam inabaláveis, arrogantes, de cabeça erguida, conscientes da própria superioridade. Estava nublado e começou a trovoar. No início caíram pingos fracos, em pouco tempo veio a tempestade.

Levantei, fechei os olhos e corri sem direção o mais rápido que pude. Segui em frente até esgotarem minhas forças, acabei rastejante. Olhei mais uma vez ao meu redor. Havia chegado num local pouco freqüentado do parque, o sol se escondia no horizonte, as árvores balançavam ao vento, um cheiro de grama molhada invadiu minhas narinas e o som dos gritos e sorrisos dos que jogavam futebol nos distantes campos do parque atraiu minha atenção.

Senti o tronco gelado sob o peso da camisa molhada e os pés afogados nas meias encharcadas. Num instante vi as coisas embaralhadas, tremi; de repente, tudo voltou ao normal. Eu pulsava em ritmo acelerado, mas tive o receio de que talvez nunca estive ali. Percebi que não estava propriamente vivo nem morto. Continuei sozinho e me perguntei qual o significado de correr no parque.

02
nov
08

Será que o Felipe consegue?

Senhoras e senhores passageiros do nosso querido Leia na Pqp. Devo adiantar que estou muito feliz com a casa nova, apesar da geladeira estar no quarto e a cama na cozinha. Vamos organizar tudo para agradar nosso principal cliente: você querido leitor.

Bom enquanto avaliamos os resultados desta mudança de apartamento (blogger para wordpress) vou aproveitar a missiva e falar sobre a Fórmula 1. Enquanto estes dedinhos calejados judiam um pc de um redação gelada no domingo, um brasileiro prepara-se para enfrentar uma corrida incrível.

Tenho muito medo de tudo que pode acontecer com o Felipe Massa. A rede Glóbulo de Televisão fez questão nesta semana de destacar as possibilidades do nosso brazuca ser campeão em Interlagos da Fórmula 1.

O campeonato foi brilhante e tivemos muitas reviravoltas. Mas todos precisam saber que o britânico bom de roda é o favorito desta bagaça. Se bem que no ano passado Lewis também era favorito e “peidou na farofa” no final da temporada.

Bom amiguinhos, com a nova casa do pauta. Estarei aqui em tempo real atualizando nossas impressões desta corrida maluca. Espero que vocês gostem. Abralhos.

Update

16h53 – Massa vence, mas o campeão é Lewis Hamilton

16h33 – Faltando 11 voltas para terminar acho que não acontece mais muita coisa

16h28 – @cesaraovivo: só o Sobrenatural de Almeida pra dar o título pro Massa neste momento

16h20 – @obrunomendonca: Rede Globo, manda o Galvão embroa e contrata a gente

16h18 – @LucianaCouto:Se o carro tivesse ré, o Rubinho podia dar uma rezinha disfarçadamente e bater na frente do Hamilton. Quem bate atrás é o culpado

16h17 – Felipe já está na ponta novamente

16h06 – Alonso assume a ponta quando Felipe Massa vai para o box

15h41 – @alexandresena:O microfone da Mariana Becker está com problemas. Por que não acontece o mesmo com o doGalvão

15h40 -@alexandresena: Previsão de chuva em 10 minutos, informou a repórter da Globo.

15h38 – @alexandresena: Que sabão essa pista de Interlagos, hein!

15h39 – @obrunomendonça: Vettel e Alonso com pneu de seco. Rapaz… isso vai dar merda

15h24 – Chuva na largada. Dois carros rodam, David Coultar está fora… Mas o Hamilton que é bom… ainda não bateu.

29
out
08

Tratado sobre o pé de caju

É preciso esperar nove meses até a chuva do caju. Esse tempo é a gestação do cerrado, mas diferente do humano, a fecundação dessa fruta parece ocorrer apenas dois meses antes dela nascer. No meio da seca de setembro, quando o mato está amarelo e o fogo parece poder surgir até de uma gota d’água, ocorre uma chuva. Ela vem bem fina e leve, só para enganar quem tem esperança de que neste ano o tempo será mais amável. É uma chuva mentirosa e oportunista, ela só quer ser o esperma que faz a terra germinar. Ou pode ser também, apenas, uma ducha de água fria para despertar o caju de uma ressaca natalina que durou até um pouco depois do dia dos pais.

Passada a chuva e a seca ainda no auge, por que eu não subiria em um pé de caju? Quem em sã consiência não iria querer subir em um cajueiro caso o destino lhe permitisse encontrar um. Eu tive essa oportunidade, vi um pé de caju. Ou pelo menos avistaram um pra mim, já que sou meio cego. Com todo o machismo e músculos flácidos que Deus me deu, pendurei-me uma primeira vez no cajueiro. Mas ele não é fácil. Depois de nove meses gerando ou esperando uma chuva fecundadora a dita planta não permitiria qualquer um catar sua cria. Um cajueiro tem mecanismos de defesa. Ao me encangar no primeiro galho e me achar o Tarzan do sertão ela se desfez de mim em poucos intantes. A casca se desfez e afogou meus olhos de um pó wur objetiva cegar os inimigos.

Não me dei por vencido. Cheio de testosterona e pose de macho para as mulheres próximas, estufei o peito e puxei um galho da planta para baixo. Ela estava vencida. Eu era o macho dominante sobre todas as coisas. Engano meu, um cajueiro é um sobrevivente, enquanto tudo derrete em volta ele continua e ainda gera vida. Propositalmente a planta abandonou aquele pedaço de galho, o deixou se romper e eu me espatifei. Não há outra palavra. Espatifar é o verbo correto para o que ocorreu comigo naquela tarde. O tompo não fez um simples “poc”. Foi mais que um “timbu”, por isso eu me espatifei e o pé de caju riu de mim. Se não ele, pelo menos as meninas que estavam próximas caíram na gargalhada. Ferido e humilhado, fiquei no chão por alguns minutos sentindo todas as dores, a pose de macho dominante foi trocada pela de menino sapeca que sempre se machuca.

A estratégia deu certo e o cajueiro teve dó e deixou cair algumas frutas. As meninas também tiveram dó e cuidaram de mim. Enfim a derrota não foi total, não fosse por um formigueiro na raíz da planta. Quando eu catava mais algums frutas ele me deu uma rasteira e mais uma vez me espatifei, perdi todos os cajus e ganhei mais algumas gargalhadas femininas.

05
set
08

O pauta não morreu

Salve a todos.
Venho aqui proclamar a vida deste blog.
Após uma rodada tensa de negociações, a Aroeira Corp. Empreendimentos adiquiriu o blog e os autores com a vontade de reviver esse intrumento de descomunicação de massa.

Por isso, mesmo que sejam poucos post. Nós estamos na área. Apertem os cintos.

31
jul
07

Pauta recomenda.

Brasólia vive o momento dos concursos públicos. Milhões de jovens tentam a sorte estudando feitos desesperados para passar no Concurso Público. Também pudera, lugares como a Câmara dos Deputados e o Judiciário pagam salários de mais de R$ 5 mil iniciais. Bom com um bom salário e estabilidade ser servidor público passou de posição trágica para o emprego que todo o pai queria ver o filho.
Pois bem leitores nessa nova coluna do Pauta que Pariu, vamos recomendar alguns livros maneiros para leitura.
Para começar que tal um livro de Clotilde Chaparro Rocha, a escritora reuniu as histórias mais pitorescas do serviço público em um livro fictício, Ministério do Absurdo, vale a pena conferir.

Abraços.

06
jul
07

What a wonderful wolrd (Que mundo maravilhoso)

produzido por Victor Martins


Eu vejo o verde das árvores, rosas vermelhas também
Eu vejo florescer para nós dois
E eu penso comigo… que mundo maravilhoso

Eu vejo o azul dos céus e o branco das nuvens
O brilho do dia abençoado, a sagrada noite escura
E eu penso comigo… que mundo maravilhoso
As cores do arco-íris, tão bonitas nos céus
E estão também nos rostos das pessoas que passam

Vejo amigos apertando as mãos, dizendo: “como você vai?”
Eles realmente dizem: “eu te amo !”
Eu ouço bebês chorando, eu os vejo crescer
Eles aprenderão muito mais que eu jamais saberei
E eu penso comigo… que mundo maravilhoso
Sim, eu penso comigo… que mundo maravilhoso

09
nov
06

Crise no céu

Comentário e edição de imagens de Victor Martins

No Brasil ninguém se importa com um problema até ele chegar ao nível de catástrofe. Quem liga se os controladores de vôo são sargentos que ganham salário incompatível com a função exercida.
Para controlar o superlotado tráfego aéreo, o cidadão trabalha oito horas diárias e ganha mil e seiscentos reais. Olha que é um salário muito bom para um Brasil subnutrido e desempregado, mas não é salário suficiente para quem está sobrecarregado de trabalho.
A quantidade de aviões no céu cresceu de forma desproporcional a quantidade de operadores de vôo. Sem possibilidade de controlar essa crise, o governo convocou militares da reserva e até o pessoal que está doente. Outra solução encontrada foi aumentar a carga horária dos operadores. Afinal, o trabalho vai dignificar esses sargentos e ainda vai deixar o céu tranqüilo para os aviões.
23
out
06

Famosos Virtuais (republicação devido a pedidos)

Produção de João Filipi Porto e Victor Martins

Anão vestido de palhaço mata oito, é a comunidade no orkut de Marcos Barbará destinada a reportagens absurdas, tem mais de 50 mil participantes. Marcos possui diversas comunidades inusitadas como Jokempô o esporte do futuro, que tem 13 mil participantes e descreve os campeonatos mundiais fictícios de Jokempô, brincadeira conhecida no Brasil como Pedra, Papel e Tesoura. O destaque fica para “comunidade do Marcos”, onde ele é o único integrante, que por vezes disserta acontecimentos nunca antes percebidos na história mundial. A entrevista que Marcos concedeu ao PQP é tão absurda quanto as comunidades criadas por ele, simplesmente surreal. Divirta-se!

PQP: Qual a relação entre China, número 27, maçonaria e a Comunidade Anão vestido de palhaço mata 8?

Marcos: Sua pergunta mostra que obviamente você não se preparou para essaentrevista.

PQP: Você conhece algum membro das comunidades pessoalmente?

Marcos: Apenas os invertebrados com o filo terminado em “h”.

PQP: Existem muitas pessoas que “forçam” a amizade com você no Orkut só porque criou comunidades legais?

Marcos: Sim, entre elas você.

PQP: Conhece outras pessoas que também tem comunidades de sucesso?

Marcos: Sim, porém meus advogados já estão tramando meios de processá-los para eu ser o único magnata das comunidades, quando elas forem commodities negociadas na Nasdaq.

PQP: Como se sente por ter comunidades de sucesso… Você concede entrevistas a focas xaropes regularmente?

Marcos: Reservo o horário entre 18 e 21 hrs exclusivamente para responder à Reuters enquanto jogo gamão.

PQP: Você tem 723 amigos no Orkut… Desses quantos já viu em pele e osso?

Marcos: Enquanto taxidermista, procuro manter a pele em seu estado mais próximo do natural, porém as vezes ela já se encontra meio decomposta e por mais que eu seja bom, o empalhado fica parecido com a Cher.

PQP: A comunidade do Marcos…. Você tem uma pretenção maior para ela?

Marcos: Minha pretenção é que o uso do ç no lugar do s seja aceito çocialmente.

PQP: Quantas horas você passa na frente do Orkut diariamente?

Marcos: No último campeonato de encarar, o orkut desistiu depois de 11 horas e 37 minutos – ele piscou.

PQP: E quantas horas você passa na internet?

Marcos: Sim, eu passo na internet, além de lavar e cozinhar. Não arrumo a cama porque eu sou uma pessoa com sentimentos e que merece um pouco de carinho e atenção.

PQP: Você bebe muito café?

Marcos: Essa é a pior pergunta da imprensa mundial desde que Miguel de Montagne perguntou a Napoleão se ele cortava as unhas com tesourinha ou alicate.

PQP: Usa algum tipo de intorpecente? Tóxicos? O que você pensa sobre as drogas?

Marcos: Depende… o que você tem pra me oferecer? Na verdade, uso apenas drogas em formato de cone.

PQP: Profissionalmente o que faz? Se considera um cara bem sucedido?

Marcos: Tenho muito orgulho em informar que lambo selos o dia todo, uma atividade que exige muito de meu intelecto. O processo de salivação postal inicia-se logo ao acordar, com a ingestão de alimentos melados que facilitam a posterior colagem. Já lambi selos que estão em mais de 230 países da América Central.
23
out
06

Paixão por futebol

Texto e fotografia de Victor Martins

Puta que pariu, meu time! Como é que pode? Depois de tantos anos sem título. Depois de tantos anos de futebol ruim. Não sei nem como fui torcer pra esse time. Na verdade não sei nem como pude me casar com aquela mulher.

Que merda! Ela já deve estar na porta de casa ensaiando um monte de palavrões pra me xingar. Já até posso imaginar: “Muito bonito Seu João! Bêbado de novo. É só teu time jogar que você se embriaga”.

Tudo bem que ela se casou comigo e deve me amar, mas é uma mentirosa quando me chama de muito bonito, no máximo bonitinho. Agora, bêbado de novo, quando ainda estou bêbado é sacanagem. Parece que nem repara em mim. O pior é quando reclama que é só meu time jogar para me embriagar. É claro que fico bêbado, com um time desses como é que assiste ao jogo sem beber.
Acho que me lembrei por que torço pra esse time, ele é tão ruim que fica fácil de achar desculpa para beber. Isso também me lembra porque me casei com essa mulher, era dia de jogo do Botafogo.
04
out
06

Cometa um crime e candidate-se

Texto e montagem de Victor Martins

Ser brasileiro todo dia cansa, por isso veste-se verde e amarelo somente na Copa do Mundo. Ser trouxa já não cansa, a cada quatro anos reafirmamos nossa vocação para mortos de fome e analfabetos.

Cada povo merece o governo que tem. Será que o brasileiro merece sanguessugas, mensaleiros, e miséria? Merece. O Povo Brasileiro quer Fernando Collor de Melo e Fenandinho Beira-Mar. Marcola para presidente seria o menos criminoso dos candidatos. PCC deveria ser partido político.

O TSE tem de lançar a campanha: “Cometa um crime e candidate-se”. Dentre os crimes praticados por parlamentares dessa legislatura estão: pedofilia, evasão de divisas, sonegação, desvio de verba, trafico de influencia e de drogas, coação, ameaça de morte, suborno e tantos outros crimes quanto for possível a mente humana criar.